A construção da identidade de gênero é um processo dinâmico e contextual, moldado por fatores sociais, culturais e históricos. Como observado por Mark K. Jurenbe, essa configuração está profundamente vinculada ao lugar e aos valores que o espaço representa, seja na esfera privada ou pública. Contudo, ao analisarmos essa relação em um contexto mais amplo, como o espaço corporativo, as questões de gênero se tornam ainda mais evidentes, frequentemente reforçando desigualdades e estereótipos.
Recentemente, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, fez uma declaração polêmica ao afirmar que as empresas norte-americanas precisam de mais “energia masculina”. A fala, que muitos interpretaram como um movimento para se aproximar de figuras como Donald Trump, reacendeu o debate sobre como os papéis de gênero são reforçados e moldados nos espaços de poder e decisão. Essa declaração não é apenas uma reflexão de uma visão de mundo específica, mas também ilustra como os líderes corporativos influenciam a percepção do que é valorizado nos ambientes profissionais.
Ao promover a ideia de "energia masculina" como um elemento necessário na cultura corporativa, Zuckerberg reforça uma visão tradicional e limitada de gênero que associa masculinidade a características como agressividade, competitividade e tomada de risco. Essa narrativa não apenas exclui perspectivas diversas, mas também limita a possibilidade de uma identidade corporativa mais inclusiva, que valorize qualidades tradicionalmente associadas a outros gêneros, como empatia e colaboração.
Assim como em Juchitán, Oaxaca, onde a identidade de gênero e o espaço estão profundamente entrelaçados, o espaço corporativo também é um ambiente onde as definições de masculinidade e feminilidade são constantemente negociadas e reafirmadas. Nos dois casos, os valores atribuídos aos espaços refletem a dinâmica de poder em jogo. Em Juchitán, esses valores podem ser vistos nas interações entre o público e o privado; já no mundo corporativo, eles se manifestam na hierarquia de lideranças, na distribuição de oportunidades e na cultura organizacional.
No entanto, é importante destacar que, assim como a identidade de gênero é fluida e mutável, os espaços corporativos também têm potencial para mudança. Repensar o que significa sucesso, liderança e energia em uma organização pode abrir caminho para uma cultura mais equilibrada e inclusiva. Essa transformação exige que líderes não apenas reconheçam, mas também desafiem as estruturas de poder e os valores que historicamente definiram o que é aceitável ou desejável no ambiente de trabalho.
Zuckerberg, ao chamar por mais "energia masculina", ignorou a complexidade das relações de gênero nos espaços corporativos e perpetuou uma visão que limita tanto as pessoas quanto as organizações. Em vez de reforçar estereótipos, é essencial que líderes considerem como o contexto cultural, histórico e social influencia as dinâmicas de poder e as relações de gênero em seus espaços. Assim, é possível construir um ambiente onde todas as identidades possam contribuir plenamente para a vivência e transformação dos lugares.
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